Antônio de Pádua (CE)

Set 22 2009

090922 - Historico do CE Antonio de Pádua

COMO FOI FUNDADO O CENTRO ESPÍRITA “ANTÔNIO DE PÁDUA”


O ano de 1910 seria para Juvêncio de Araújo Figueredo, o início de uma nova era para sua vida. Empregado como escrevente da Secretaria do Congresso - hoje Assembléia Legislativa - ao lado de seu grande amigo Santos Lostada e rodeado de parlamentares, dentre os quais Arnaldo S. Thiago, estava ele recebendo agora a retribuição por suas boas obras, pelos trabalhos que fez na caridade, sem visar cobranças, nas terras de Laguna, no bairro modesto de Bananal, onde ali "matou a fome" pescando siris -quando outrora havia sido promotor público nas Comarcas de Tubarão e Tijucas.


Santos Lostada, conhecendo a fundo todas as religiões espalhadas na Terra, dizia não haver chegado a um acordo sobre a verdade, desta ou daquela, e se questionava: onde - achar uma religião completa, com todos os alicerces, sem uma discrepância, sem uma falha, sem uma única mancha? Então, recebe de Araújo a seguinte resposta: "No Espiritismo!, unicamente no Espiritismo, nesta revelação prometida por Jesus e por ele mandada ler no livro sagrado do seu “Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". E acrescenta: -"Se não fosse essa doutrina, eu já teria baqueado."

Outro amigo, o Comandante da Escola Aprendizes de Marinheiros, Alberto Gonçalves, era materialista, e como Lostada, tinha investigado o fundo de todas as religiões e seitas. Mais materialista se tomara, na firme convicção de que, tudo, quanto parecia existir como sendo espiritual, não passava de manifestações de loucura. Porém, de tanto ouvir falar de Araújo Figueredo, sobre as curas que estavam acontecendo por seu intermédio e tantas provas dadas por ele, da imortalidade da alma e dos seus destinos, que cedeu à razão, aceitando ao convite dele e do Lostada para formarem um Centro Espírita, nos Coqueiros, o qual foi inaugurado à 1º de Maio de 1910, com o nome de Centro Espírita TEMPLO DE AMOR E CARIDADE, sob a presidência de Santos Lostada.

E conta-nos o próprio Araújo Figueredo: “Nas suas primeiras sessões, realizadas duas vezes por semana, nada houve que interessasse; mas não se deixava de orar por aqueles que ali se encontrassem, embora os olhos materiais não os pudessem distinguir. Uma noite, porém, creio que na 5ª das sessões, uma irmã nossa, chamada Ursulina Silva, que fazia parte do Centro, em completo sonambulismo, escreveu, em letras claríssimas, uma comunicação. Foi um sucesso! Um triunfo! Uma imensa alegria! E ninguém, dos que se achavam presentes, inclusive o Comandante Alberto Gonçalves, pode duvidar da existência da alma depois de morto o corpo, e de se decompor na vala comum. E o que admirou ainda mais, e confirmou a autenticidade do fato, foi o ter eu, da minha casa, que ficava distante do Centro umas duzentas braças, descrever minuciosamente a sessão realizada, e escrever a mesma comunicação dada pelo próprio Espírito, sem lhe faltar uma vírgula e o nome. Sem ordem dos guias para assistir às sessões que se realizavam no Centro, mantinha-me em casa, junto a uma mesa, onde estavam estendidas largas tiras de papel. Pegava um lápis e escrevia tudo que estava se passando lá no Centro Espírita, cujas comunicações obtidas eram lidas nas noites próprias, em plena sessão de doutrinas, que dão provas sobre a existência da alma e suas interferências nos desígnios do Inundo. Agora já não era o único convertido o irmão Alberto Gonçalves; outros o sucederam de uma forma tal, que se tornara pequeno o grande salão do Centro para contê-los nas noites assinaladas para as sessões ou para as palestras sobre os Evangelhos, segundo o Espiritismo.

Após um período não determinado o Centro Espírita TEMPLO DE AMOR E CARIDADE encerrou suas atividades.


Posteriormente, no ano de 1946, em uma casa pequena e modesta, à beira da praia se reunia um grupo de adeptos da Doutrina chamado de Redil Espírita Juvêncio de Araújo Figueredo, formado pelo Capitão Antônio de Araujo Figueredo, filho de Juvêncio de Araújo Figueredo e dos confrades Jobel Sampaio Cardoso,Silvino Rodrigues da Silva, colaborador do médium Araujo Figueredo, em vida, Lauro e Rosa C. de Souza, Mário Cândido Raulino, José Pacheco, Manoel Pedro Alves, Pedro de Lima Breneisen, Osvaldo Silveira, Olga Peluso Cardoso e Isabelina Silva Mourão.

Domingos de Freitas Noronha, conhecido médium, sabendo das atividades desse grupo, vem a informar que recebera uma mensagem do Espírito Juvêncio de Araújo Figueredo, a qual dizia da necessidade de se re-fundar o Centro que existira tempos atrás, alí mesmo, no
bairro de Coqueiros, e que esta nova seara deveria ter o nome de “Antônio de Pádua", seu protetor espiritual. Seu Lauro e Dona Rosa, diante da mensagem recebida, colocaram a sua
residência à disposição.O casal não possuía filhos e cedeu a sala de visitas para as reuniões. Posteriormente, concretizaram a doação deste imóvel ao Centro Espírita.


Eis que, em 27 de Junho de 1948, data em que se comemora o desencarne do iluminado Espírito Antônio de Pádua, por inspiração do Espírito Juvêncio Araújo Figueredo ao médium Domingos de Freitas Noronha, vem a ser fundado o CENTRO ESPÍRITA SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA, sob a Presidência de seu filho Antônio de Araújo Figueredo, na Rua Max de Souza, em Coqueiros.


Em 27/11/1948 ficou assentado em ata que o Centro chamar-se-ia CENTRO ESPÍRITA SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA E JUVÊNCIO DE ARAÚJO FIGUEREDO. Entretanto, decorridos alguns anos, ele voltou a ser CENTRO ESPÍRITA ANTÔNIO DE PÁDUA.*

* Retirado do livro “A Mediunidade do Poeta Catarinense Araújo Figueredo”, de Márcio Antônio Ramos Araújo

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